segunda-feira, 12 de agosto de 2019

TEXTO CONVIDADO: LUCIANO MEIRA

TEXTO CONVIDADO : LUCIANO MEIRA

A bola vazia do esporte montes-clarense..

Luciano Meira ( * )

Na cidade da ilusão, enquanto a mentira circula com os ventos nas mais variadas direções, deparo-me com a área que era do esporte, oculta pelo “muro da vergonha”, construído para evitar olhares analíticos. Ali jaz a Praça de Esportes.

O Prefeito transformou o local, que já foi um dos maiores celeiros de atletas de Minas Gerais, em ponto de estacionamento de veículos. Fez o tal muro para que não se enxergue o abandono da Praça de Esportes. Uma reforma no telhado do Ginásio Darcy Ribeiro já demorou mais tempo do que foi gasto em sua construção.

Em 1980 criamos a Secretaria de Esportes de Montes Claros, que contava com seis funcionários (hoje 25), e fizemos os maiores eventos esportivos já realizados na cidade: Olimpíada de Bairros, Olimpíada Universitária, Olimpíada Operária, Jogos Universitários e Interbairros. Reestruturamos o futebol Amador e o Varzeano, que participou de competições das Federações do Esporte Especializado em nível Estadual.

Construímos 17 quadras poliesportivas pela cidade, com o apoio da Matsulfur. A maioria dos eventos que realizávamos tinha o apoio do comércio, com uma mínima contrapartida da Prefeitura. Não tínhamos as duas faculdades de Educação Física, existentes hoje, mas os educadores físicos incentivavam as lideranças esportivas na formação das suas equipes. Fomos o exemplo de eficiência esportiva que a atual administração poderia tomar como referência.

Na área esportiva, o feito alegado como grande da atual administração foi a criação da Superintendência dos Ginásios e Campos subordinada à Secretaria de Esportes.

A Supermoc cuidou do aumento da arrecadação dos tributos, principal objetivo da atual administração, que, desinteressada no assunto, enterrou em cova rasa o esporte local. Acabou com as equipes de esporte especializado, impedindo a cidade de participar e brilhar, como já fez em outros tempos, nas competições em nível estadual e nacional. Com o fim do futebol Amador e Varzeano, a Prefeitura realiza um campeonato de futebol inexpressivo, com participação de poucos times.

As quadras poliesportivas abandonadas nos bairros viraram ponto de drogas. O descaso com o esporte teve como consequência o crescimento da criminalidade na cidade. Os jovens, sem incentivo para o bem são levados para o caminho errado, da perdição e da droga, reafirmando o ditado popular “corpo são, mente sã”.

Atividades mais simples como as Ruas de Lazer deixaram de existir na cidade, por comodidade dos gestores.

Numa prestação de contas junto ao Ministério dos Esportes, o Prefeito foi obrigado a construir dois campos: João Botelho e Canelas, que sobrevivem com o incentivo dos desportistas.

Se visitarmos a menor cidade do Norte de Minas, lá encontraremos uma estrutura esportiva funcionando melhor do que a existente hoje em Montes Claros.

Nossa cidade tem 160 mil jovens entre 15 e 21 anos, e todos sabem que a prática esportiva contribuiria para a formação emocional e física deles. Entendendo essa importância, porque o Prefeito não tem um Plano de Atividades para o esporte montes-clarense?

A cidade foi transformada numa “Montes Claros Já Teve”, onde saudosistas se reúnem em festa, para se lembrarem e aplaudirem as glórias passadas, mas não cobram do Prefeito uma reestruturação do esporte local.

Na visão estreita do Prefeito, o esporte é um sucesso, e, dentro dessa convicção descansa em paz, pois os vereadores, num silêncio cúmplice, se preparam para disputar o novo campeonato da cidade, alcunhado providencialmente de “Montes Claros ‘Purrinha’ Clube”. Lamentável.

( * ) Diretor e Consultor da LD Consultoria

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