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segunda-feira, 5 de abril de 2021

TEXTO CONVIDADO: MARA NARCISO

 

TEXTO CONVIDADO: MARA NARCISO

Saudosismo nostálgico

Mara Narciso

Quando nasce uma criança, nasce com ela a saudade, ainda que não se lembre do aconchego uterino antes de vir à luz, como também não haverá consciência do seu fim. Não é raro o infante, ainda em tenra idade, ao referir-se a si mesmo, exprimir-se assim: “isso foi quando eu era pequeno...”, parecendo que o sentimento de saudade eclode ao nascimento.

O mais comum é ter saudade da infância, tida como o melhor período da vida. A sensação da bondade dos verdes anos vem da impossibilidade de comparações e ao fato de os cinco sentidos estarem à flor da pele, ouvidos, nariz, olhos e boca, daí serem tão gostosas as lembranças dos sabores e odores, em especial de passeios à fazenda, ou à casa da avó, ou de certas comidas feitas pela mãe, reverenciadas como iguarias.

Não se sente saudade de vivências ruins, no entanto, não há um muro nítido separando os departamentos da vida. Por exemplo, um tempo de luta, uma subida íngreme, sobre a qual se tenta ir para o alto. Nela, os passos são lentos, mas se lembrar da força que impulsionava essa caminhada e a conquista desses avanços despertará saudade.

Companheiros amealhados nos primeiros anos escolares despertam as amizades mais sinceras e as mais lembradas. Vem tanta força desses amigos, que, quase todos, na maturidade, tiveram vontade de reviver os afetos fraternos iniciados na juventude, mas que a vida separou. Os grupos de WhatsApp de diversas tendências comprovam isso, ainda que a polarização política tenha esvaziado parte dessas comunidades. Os mais sensíveis não suportaram os embates desrespeitosos e saíram, mas as confrarias sobrevivem.

À medida que os anos passam, o saudosismo nostálgico aflora, cresce e domina a cena. Mesmo adiante na vida, é bom conselho buscar o futuro, idealizar e fazer algo novo, enxergar adiante, seja no outono ou até mesmo no ocaso da vida. Projetos exequíveis devem ser planejados em médio prazo, e assim como há vida depois do câncer e planos para depois da aposentadoria, também haverá vida após a pandemia.

Há no Facebook o grupo “Tripulantes da Máquina do Tempo”, com incessantes postagens e centenas de comentários sobre pessoas de perto e de longe, objetos, hábitos, moda, músicas e listas gerais como bares ou cantores de certa época. Nesse grupo, em geral, as pessoas falam de vivências coletivas e poucas experiências pessoais das décadas de 1960 e 1970. Postam fotos antigas, falam de saudades e pessoas falecidas há muito tempo. Como tudo na internet, logo há uma divisão, dispondo-se de lados opostos os que gostam e os que desgostam, ainda que não haja o “dislike” como opção de manifestação de rejeição, antipatia e desgosto. Isso aborrece a alguns, porque qualquer assunto, mesmo aquele que sugira tendência à unanimidade, gera calorosos debates e algumas falas grosseiras.

Os “Tripulantes da Máquina do Tempo” despertam atenção e participação até mesmo de pessoas jovens, com saudades de 1990/2000. Pelo visto, a máxima “Saudade não tem idade” é arrematada verdade, num tempo em que há muitas verdades, numa lista tão grande que propicia cada um escolher a sua, acreditando ser a única.

E por falar em saudade, a escritora, poeta e professora Karla Celene Campos explicou esse sentimento da seguinte maneira: “Saudade! Saudade de tudo que o coração captura/ no entanto não permanece, desfaz-se no ar/ Saudade é dor de desejo/ do que não se deixou ficar//”.

 

domingo, 9 de novembro de 2014

TEXTO CONVIDADO: MARA NARCISO

TEXTO CONVIDADO: MARA NARCISO


A Mara Narciso, no domingo passado, escreveu um texto inquietante. Imediatamente telefonei à minha amiga e afilhada (na Academia Feminina de Letras, todas nós temos um padrinho ou madrinha e a Mara me escolheu para madrinha quando do seu ingresso, o que foi pra mim uma alegria imensa, afinal, ela é alguém  que gosto e  admiro, como profissional e como pessoa, embora, às vezes, discorde do seu ponto de vista), para saber se estava bem e para comentar o texto. Profundo e muito real, traduz questões que me deixam reflexiva e descontente com o mundo em que vivemos. Trata da intolerância humana, da inversão de valores, mas, sobretudo, do egoísmo reinante e da pouca importância que se dá aquilo que está além do próprio umbigo. É um texto que todos deveriam ler. A decisão de colocá-lo no blog neste domingo não é à toa. Esperei uma semana, para que, depois de publicado em outros espaços, todos pudessem digerir, pensar. Agora, eis o texto. Quem leu anteriormente, relendo, poderá se defrontar com novas reflexões, quem  não, recomendo, pois é pra fazer pensar, e pensar. 

Viagem ao fundo do ego


Mara Narciso

            Na minha visão de mundo, nada poderá ser mais importante do que a satisfação imediata dos meus desejos. A minha saciedade plena em todos os sentidos é a razão de ser do meu universo pessoal. Os meus pensamentos não serão conhecidos, mas serão adivinhados. E que não precise acontecer um olhar, ou um leve oscilar de dedos, ainda que a minha mão permaneça suave sobre a mesa. Não suportarei, por menor que seja, nenhuma contrariedade. Eu não tenho sonhos, eu não tenho aspirações, eu tenho prazeres sanados de forma antecipada. Para mim não existem os outros, a menos que possam prover a minha sanha de satisfação. Não existe dentro de mim nenhuma paciência ou compreensão. Falhas serão cobradas com açoites, e caso se repitam, um tiro na nuca, ainda que figurado,  ocorrerá para a família pagar o projétil.
Após uma mínima falha, caso venha de joelhos beijar a minha mão, e lamber meus pés, não lhe lançarei nem mesmo um olhar. Não gasto nada com pessoas desprezíveis. O que dizem de mim, desconheço, e acho que ruins são os demais. Não tenho sentimentos e algumas vezes nem mesmo pensamentos outros que não sejam para o meu prazer de egoísta insaciável. O que me importam os outros? São meras figurações para que eu brilhe. O centro do mundo sou eu, e que os meus serviçais resolvam qualquer imprevisto, sem que seja necessário vir ao meu conhecimento. Não gasto décimos do meu tempo nomeando problemas.
Tudo gira em torno de resoluções para a minha paz e sossego. Jamais perco a compostura, ou me movo. Respiro de forma tão sutil que nem mesmo embaço um espelho, caso coloquem algum deles perto da minha boca suave. Não existe suor, não exalo nenhum odor. Meu alimento é o néctar, e as excreções somem no ar como fluidos incorpóreos invisíveis.
            Tédio, monotonia, existência vazia, nada para pensar amanhã? Debocho de tudo isso. São coisas humanas. Estou acima dos reles mortais. Tripudio sobre todos e qualquer um de vocês. Quem sou? Não gasto explicações com isso. Por exceção, hoje estou a diluir pelo ar, de forma magnânima, algo que possam compreender. Estou numa dimensão muito além do que a mente humana possa idealizar. Pessoas que se mostram indiferentes, me perguntam se tive pai e mãe, e se mamei num seio materno. Não sei. Na construção da minha superioridade e autossuficiência, isso pouco importa.
Para ser como eu, indiferente aos sentimentos humanos e suas mediocridades, tive um início de existência que não importa quando e nem onde. Atingi esta situação de equilíbrio idealizado e jamais alcançado. Sou e isso é suficiente. Aqui no meu estado espiritual não há medo, nem dor, nem qualquer incômodo, por menor que seja. Estar assim é bom. Minha apatia com o sofrimento é tal, que nem penso nisso. Devo ser aquele alguém que os psiquiatras juristas chamam de mente psicopata.
Eu não mato o corpo, eu mato a alma, com frieza e indiferença. Eu roubo a paz. Eu trago a guerra de espírito. É a mesma coisa, quase, e fico impune. Membros esperneantes não me sensibilizam. A lei não me alcança e nada pode fazer contra mim. Nisso sou imortal e gozo de inalcançável impunidade. O meu prazer é destruir pessoas, jogá-las ao leu, triturá-las, reduzi-las a pó. E quando me perguntam se isso não é aborrecido, respondo que nessa arena, mando eu, dou todas as cartas, incluo e excluo ao meu bel prazer, e ao final, dou a minha risadinha de desdém.
Obedeçam-me. Afinal, o mundo que coordeno é todo meu. Embora me pareça com um príncipe, sou um semideus das profundezas. Talvez seja imortal. Ainda que não gostem dos meus métodos, é assim que sou. E o melhor: eu não me importo se gostam ou não de mim.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

UM DIA COMO OUTRO QUALQUER......

UM DIA COMO OUTRO QUALQUER....

Por Márcia Vieira


Sim, foi um dia como outro qualquer, uma tarde comum, com uma pessoa rara, pouco comum, se se considerar que ser comum é incomum, dadas às circunstâncias do "mundo em que vivemos, totalmente em perigo" (pra ser mais abrangente e fazer uma breve alusão ao filme, que referia-se ao ano, não ao mundo).

Fernando Yanmar Narciso é uma dessas pesssoas e num  "insight" decidi que queria vê-lo, falar com ele, mas não de maneira programadinha, deliberada, amanhã ou depois. Haveria de ser naquele instante. Foi mesmo um daqueles momentos que a gente tem vontade de fazer uma coisa e faz. Liguei imediatamente pra sua (dele) mãe, Mara Narciso e propus gravar algo com o Fernando, já que no próximo dia 15 ele lança um livro de crônicas e fui convidada pra fazer os registros fotográficos. Eu e Mara falamos tanto ao telefone que deu tempo do Fernando voltar do almoço com o pai. Ele é do tipo que não deixa nada pra depois. Nem o lugar onde faríamos a gravação foi planejado. Pra falar a verdade nem mesmo sabia se a minha parafernália estava completa, com pilhas e baterias suficientes. Ah, se não, daria um outro jeito. E assim fomos eu o Fernando ao Shopping, um local escolhido de última hora. No estacionamento, vimos uma floricultura e pedimos licença pra gravar por lá.

Licença concedida, batemos um papo informal e esta foi a regra que coloquei pra Mara quando liguei: que não houvesse regras, que nada fosse formal ou proibido. Cada vez mais eu me adapto menos ao mundo das regras e formalidades. Nem de longe nasci pra ele. E vi no Fernando alguém semelhante, por isso quis conversar e saber do livro, saber dele. É um jovem que não se preocupa com a posição da câmera, com vaidades insanas, em sorrir no momento X ou Z, com o que os outros vão pensar, se vão rir ou chorar. Não mede palavras, não programa gestos e falas. Não ensaia. E não é ofensivo nem fala pelos cotovelos. Pelo contrário. É gentil à maneira dele, educado, cortês e afetivo. Não sai ofendendo, só porque tem a liberdade de ser como é, falar e fazer o que quer. Essa é a verdadeira liberdade, que só existe de fato quando caminha de mãos dadas com a responsabilidade.

E Fernando Yanmar tem consciência de que é um estranho no ninho, assim como os poucos e reais, que não se encaixam naquilo que outros criaram, naquilo que alguém um dia criou e resolveu que é "o certo", como se certo e errado não fossem conceitos particulares. O "certo" nem sempre é justo. E haverá alguém, que assim como ele, pensará sobre isso e viverá seguindo suas próprias regras. E estes são os que salvam o mundo dos perigos, embora tido como perigosos ou "loucos". Não li ainda o livro, mas deu vontade de ler. Ele, Fernando, é honesto, puro, sincero. O livro também será. Revelou no decorrer da conversa, deixar "tudo pelo meio do caminho", exceto a escrita, que o alimenta neste universo de realidades fantasiosas e fantasias reais. 

E vamos ao vídeo:

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

NOTA 10 PARA.......

NOTA 10 PARA.....HUGO LEONARDO

E  neste domingo, 23, encontrei um fã do TIÃO MARTINS, o HUGO LEONARDO. Gracinha de menino, antenado, educado e estudante de engenharia da computação na Facit, ele mostra que sabe o que é bom. Leitor do TM desde o jornal impresso, agora acompanha o cronista pelo blog: http://tiaomartinsbh.com/blog/
HUGO é adepto da boa leitura e dos bons escritores. Merece nota 10!!!




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

E POR FALAR EM HINO.....

E POR FALAR EM HINO....


Já que ontem, 05 de fevereiro foi dia de lembrar Osório Duque Estrada, autor do hino nacional, o blog hoje republica um nosso texto que tratou do tema, na ocasião em que a cantora Vanusa cantou, errou e foi criticada por isso em todas as mídias. Saímos em defesa da cantora, que legou à música brasileira o seu melhor e por tal feito, merece o nosso respeito. É dela uma das canções favoritas do blog: "Manhãs de Setembro" O texto foi publicado em diversos espaços, entre eles, o do nosso amigo WALDIR  de PINHO VELOSO. E foi de lá que resgatamos o nosso escrito. Aproveito pra indicar aqui o site do escritor Waldir, que tem sempre coisas de qualidade. Basta acessar:
www.waldirdepinhoveloso.com


EM DEFESA DAS “MANHÃS DE SETEMBRO”

Márcia Vieira (*)

Nos últimos dias só se falou no “mico” ou “king kong” da Vanusa. Só hoje, nesta tarde de segunda-feira de setembro, me animei a assistir ao vídeo tão criticado. Ok, é um mico sim. Cômico ou trágico, depende do ponto de vista. No YouTube, tudo se encontra. E foi lá que assisti ao vídeo, este, cuidadosamente legendado pelo autor, para não deixar dúvidas quanto aos erros. Se lá estivesse, fotografando ou de algum modo registrando o evento, teria dado gargalhadas silenciosas (para quem pensa que não, o ato é possível). Assistindo daqui, não foi diferente. Ri aos borbotões. Mas, quem nunca errou ao cantar o hino ou qualquer outra música? Quem sofre da ansiedade de querer cantar (e eu sofro disso), no palco ou no chuveiro, já passou por situação semelhante. Com os músicos, por profissão ou vocação, a crítica não perdoa. Nós, simples mortais, não perdoamos.

Lembro-me de um professor que tive, daqueles longevos, que conseguem ser professores de pais,filhos e netos de uma mesma família, que exigia dos alunos, soubessem a letra “corretíssima” do Hino Nacional. A cada aula, um de nós era convidado a cantar o hino, pronunciando lentamente cada palavra, para facilitar o entendimento. Nunca falei, mas tinha cá minha convicção de que a régua que ele segurava em uma das mãos durante a aula era para ser usada na cabeça de um aluno, que ousasse dizer “braços fortes”, no lugar de “braço forte”. Quem foi aluno dele, sabe bem do que estou falando. O pesadelo de todos reside numa determinada estrofe que provavelmente confunde até o cidadão mais patriota: “Brasil, um sonho intenso, um raio vívido...”, frequentemente misturada à “Brasil de amor eterno seja símbolo...”. Dessa eu escapei, porque bem cedo aprendi um macete. O Padre Alencar nem sabe, mas foi ele quem me deu a senha: “primeiro você sonha, depois ama”. Nunca mais me esqueci. E anos depois, não foi na minha cabeça que o professor deu cabo da régua. 

Tento imaginar o que ele sentiria ao ouvir a Vanusa. Usaria a régua? Conteria o riso, como aqueles que participaram da solenidade em questão? Agradeceria a presença da cantora, como fez o apresentador, na ânsia de calar a voz da musa do iê-iê-iê? Entenderia os desafios emocionais, declarados ou ocultos, pelos quais atravessa a cantora? As críticas foram/são intermináveis. Vanusa deu entrevistas com justificativas pouco convincentes, mas do lado de cá, acredito piamente que até o professor, um educador disfarçado de desalmado, teria se lembrado daquela que legou à história musical brasileira, ao lado de Mário Campanha, um dos mais lindos hinos de exaltação à vida, depois de amargo viver. O emergir, depois da solidão/reclusão. A musa que “em noite fria se sentia bem”, que “numa tarde, se fez tarde de tristeza”, que “conseguiu ficar e ir embora”.

Num país onde tudo acontece, errar o hino é o menor e menos vergonhoso dos delitos, se é que existe erro menor ou maior que outro. Há muito os cadernos escolares não trazem em suas capas as letras do Hino Nacional, Hino à Bandeira, Hino da Independência(?). Há muito, os hinos foram substituídos por desenhos de crianças empunhando espadas, chamadas de heróis, ou princesas modernas, cujas roupas mais se assemelham as de dançarinas de axé. Agora, Vanusa, “não temais ímpias falanges, que apresentam face hostil. Vossos peitos, vossos braços – e, sobretudo, sua voz – são muralhas do BRASIL”. Mais do que nunca, acredite no que você construiu e cante, cante mais forte ainda: “[...] Fui eu que num esforço se guardou na indiferença [...]”. Este sim, é o seu hino. O seu hino de independência. As “Manhãs de Setembro” são suas. Seus fãs, os fãs da sua música, agradecem.

Manhãs de Setembro

(Composição: Vanusa e Mário Campanha)

Fui eu quem se fechou no muro
E se guardou lá fora
Fui eu quem num esforço
Se guardou na indiferença
Fui eu que numa tarde
Se fez tarde de tristezas
Fui eu que consegui
Ficar e ir embora...
E fui esquecida
Fui eu!
Fui eu que em noite fria
Se sentia bem
E na solidão
Sem ter ninguém
Fui eu!
Fui eu que em primavera
Só não viu as flores
E o sol
Nas manhãs de setembro...
Eu quero sair
Eu quero falar
Eu quero ensinar
O vizinho a cantar
Eu quero sair
Eu quero falar
Eu quero ensinar
O vizinho a cantar
Nas manhãs de setembro
Nas manhãs de setembro
Nas manhãs de setembro
Nas manhãs...

(*) Márcia Vieira é jornalista e fotógrafa.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

POLÊMICA INTIMIDADE...

E hoje a crônica do TIÃO MARTINS trata de um tema que atravessou os muros da intimidade e virou discussão mundial: depilação feminina

Leiam:
http://tiaomartinsbh.com/blog/

Um trecho:
"...se será com ou sem, o casal que decida o que lhe convém..."

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A CRÔNICA PERFEITA- TUDO QUE O AMOR NÃO É..

 A CRÔNICA PERFEITA

É do TIÃO MARTINS,  desta quinta, 23, do blog: tiaomartinsbh.com
E eu "roubei" , porque está perfeita. Posto aqui pra vocês. Quer ver mais textos bacanas? É só ficar ligado lá. Já dei o endereço.
Mas vamos ao texto de hoje:

Tudo que o amor não é

Tião Martins

Há milhares de definições do amor, mas nenhuma delas é definitiva.
Quase todo mundo sabe o que ele não é, mas poucos percebem e cultivam a sua real natureza, o que oferece de bom e tudo que exige de nós.
Aliás, boa parte do saber e sabor que ele promete e entrega vem dessa dificuldade de definir ou compreender sua extensão, profundidade e capacidade de resistir aos trancos naturais ou inventados.
Uma coisa é certa: não é brinquedo, não oferece garantias e nem promete durar para sempre.
Há quem trate o amor como ioiô ou bolinha de ping-pong: larga e puxa, bate e volta, vai-e-vem. Pode até ser que funcione, mas é preciso que os dois apreciem esses jogos. Caso contrário, em algum momento a corta arrebenta ou a bolinha perde a graça.

Por não ser brinquedo que você interrompe quando quer, o amor não tolera fuga, tédio e desaforo e nem que se deixe para amanhã o que é para ser vivido hoje. Além disso, é um ser vivo e bichinho manhoso.
Se você não cuida e não alimenta, ele vai emagrecendo, perde a cor e o sentido e morre de fome ou de sede.
Convém ter sempre uma surpresa na mão, para despertá-lo, quando adormece, mas fazer disso um circo de horrores ou melodrama à moda antiga é veneno puro. Até os atletas mais empenhados carecem de momentos sem sobressaltos.
Quem ama o suspense ou o drama, com fantasmas que surgem atrás de cada porta, está rodando é um filme de terror de segunda classe, cheio de som e de fúria.
E histórias assim nem Drácula suporta mais, porque o tédio substitui o medo e o susto, mesmo que alguém morra no final.
Há quem diga que a trepidação e a insegurança são componentes essenciais do estado amoroso. E são mesmo, mas é preciso dosar esses ingredientes. Sal e pimenta, quando passam do ponto, tornam intoleráveis até as receitas mais deliciosas.
Até quando tudo vai mal, a esperança é boa companheira do amor. Esperança de que ele seja mais forte que o medo, mais profundo que a simples curiosidade e mais poderoso que os desencantos do passado.
Mas a esperança, sem carinho, esfria e dá lugar ao pesadelo. Na ânsia de proteger o amor, podemos cair no seu oposto: a intolerância.
São muitos e poderosos os inimigos do amor: medo, arrogância, impaciência, desilusão e desapreço. Rotina e imobilismo. Repetição de erros do passado e exigências absurdas no presente.
São tantos e tão poderosos os inimigos que você às vezes se sente sozinho e frágil diante deles. Mas não tão sozinho e nem tão frágil que um abraço e um longo beijo não possam mudar toda a história.
Porque o amor, mesmo combatendo em tantas frentes, é o mais poderoso de todos os sentimentos humanos. E o único que nos liberta das correntes e cadeias do medo, da mediocridade e da pobreza emocional que insistem em pendurar em nós.

sábado, 11 de janeiro de 2014

RELEMBRANDO GOYA.....

Por sugestão de um amigo e leitor, vez ou outra vou postar aqui alguns dos meus textos/crônicas, já publicados em outros espaços. Começo com a crônica para Goya, que nos deixou em janeiro do ano passado(2013).













RELEMBRANDO GOYA....


Em memória de Eduardo Lima (Goya)

No Céu com Diamantes...

Por Márcia Vieira

Que Liz Taylor o quê?! Montes Claros tem Goya!  Tinha Goya. Não!  Sempre teremos o Goya, na memória, no coração, em fotos, paisagens, textos e canções. Eduardo "Goya" Lima, nasceu aqui, ficou por aqui e um dia foi ali, experimentar o clima da montanha, a política de fato. Colocou sua voz no mundo, emocionou e se emocionou. Virou lenda. Certa vez, caminhando com uma amiga nas imediações do quarteirão/praça da Matriz, fez uma senhora retroceder dois passos, virar-se em sua direção e perguntar: "Eduardo Lima, é você? Conheci pela voz!". Foi um festival de abraços, carinhos e declarações da fã ao assustado, mas feliz Eduardo Lima.

Não foi apenas pela voz firme e certeira que tornou-se mito. Seus casamentos e filhos, em número extenso e pouco comum, deram o que falar. Virou matéria de revista, motivo de curiosidade e inquietação. A Lyz Taylor do sertão não tinha olhos cor de violeta. Eram olhos menores, quase apertados por detrás das lentes, mas quando falava, eles cresciam e fitavam profundamente o seu interlocutor. Os braços acompanhavam a fala e o gestual não era comedido. Nada nele era comedido. Viveu intensamente e é de se supor, partiu com a mesma intensidade.

Como todo ser humano que valida as emoções, certamente teve lá seus desafetos, mas o número de afetos é provável e infinitamente maior. Os rasantes na cidade em que nasceu aconteciam com pompa, independentemente de circunstância. Alegre, lúcido e animado, reuniu a nata da saudável loucura montes-clarense quando do lançamento de seu CD no Centro Cultural. Encontro descontraído, festivo, cheio de relatos e confidências. Esticou a noite com uma turma de bons, velhos e novos amigos. Dia seguinte ao lançamento, chegou atrasado para uma entrevista. Azar do relógio que cisma em correr mais do que as pessoas aceleradas. Foi recebido pelos colegas, alguns do início da carreira de radialista, com todo zelo e carinho e concedeu entrevista de mais de uma hora para o "Márcia Vieira em Revista", programa que ia ao ar pela Rádio Terra.

Respondia a tudo e muito mais. Difícil foi compactar e selecionar os momentos mais marcantes. Pessoas incríveis e emocionais não merecem edição. O mundo em que vivemos tem dessas coisas. Quer limitar e colocar rédeas em quem não cabe em si. O Eduardo, o Goya, fugiu das limitações, vôou, foi abrir os braços em outro horizonte, falar em outra frequência, emocionar as estrelas, talvez encontrar um "amor de outro mundo" e dar origem a novos anjos. O certo é que ele está agora “no céu com diamantes”, como cantou o Beto Guedes:

“ voz,
que é pedra de tal firmamento
e ainda se escuta luzir
a todo momento....

E está aqui mas se foi
Virou estrela
A nossa estrela no céu..”

Bye, Goya! Até a próxima entrevista ou encontro casual nos arredores do quarteirão!

Yellow
02/01/13

*Publicada em jornal O TEMPO e outros.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

DICA do DIA.. leitura interessante..

DICA do DIA....
          LEITURA INTERESSANTE

O Blog do Tião Martins realmente deve ser a primeira leitura do dia.. Todos os dias um texto novo, sensível, sábio. Crônicas imperdíveis e uma percepção muito rara do que é a alma feminina.

ACESSE: http://tiaomartinsbh.com/blog/