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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

CONFISSÕES nada ADOLESCENTES....

CONFISSÕES nada ADOLESCENTES - 10

SOU CONTRA, SIM!

Por Márcia Vieira

Mas é apenas uma opinião. Assim como outros são a favor e eu respeito a opinião destes. Perguntaram-me porque não fiz referência aqui ao Dia da Consciência Negra. É um assunto controverso, mas não costumo fugir da raia quando solicitada a emitir opinião. Sou contra, sim. Porque sou branca e não senti na pele as dificuldades históricas? Não. Porque não acho  que tem que existir dia da consciência negra, nem branca, nem vermelha e nem amarela. Movimentos/situações que trazem o preconceito embutido no nascedouro, a despeito de quebrá-lo. 
Porque na minha cabeça não existe diferença entre um ser humano branco, negro, amarelo ou vermelho. Existem diferenças sim, de caráter/personalidade, e elas não estão impregnadas na cor/textura de uma pele, na sexualidade, na idade, na forma do corpo. 

Existem preferências e elas devem ser respeitadas. Cada um sabe o que gosta e o que quer. Tem gente que gosta de pele branca;Tem gente que gosta de pele negra. Tem gente que gosta de pessoas magras, mas tem gente que gosta de pessoas gordas. Tem gente que gosta de cabelo liso e outros gostam de cabelo crespo. Tem gente que gosta de pessoas que tem cérebro ativo; outros gostam de quem não exercita a mente. Tem gente que gosta de literatura, mas tem gente que não gosta de ler. Tem gente de bom gosto, tem gente de mau gosto, mas tudo é apenas uma questão de gosto. Tem gente que gosta de fazer escolhas; Tem gente que não escolhe nada. Tem gente que aprecia a verdade; Tem gente que prefere ouvir mentira. Tem gente espírita, gente católica, gente evangélica, gente ateu, gente agnóstico. Tem gente que não é gente; Tem animal que é muito mais gente. Tem gente que gosta de amarelo; Tem gente que gosta de rosa. Tem gente que gosta de careca; Tem gente que gosta de cabeludo. Tem gente que gosta de sexo; Tem gente que é assexuada. Tem gente que gosta de poucos e bons amigos; Tem gente que gosta de muitos e maus amigos. Tem gente que gosta de qualidade; Tem gente que gosta de quantidade. Tem gente de opinião; Tem gente que segue o que pensa a maioria. Tem gente que vai à Grécia;Tem gente que vai à Las Vegas. Tem gente que gosta de museus; Tem gente que gosta de noitada. Tem gente que gosta de rock progressivo/pop rock ou MPB; Tem gente que gosta de funk e axé. Tem gente que gosta de filmes de suspense; Tem gente que gosta de ficção científica. Tem gente que é passional; Tem gente que não tem paixão por nada. Tem gente generosa; Tem gente egoísta. Tem gente que fica feliz com a felicidade dos outros; Tem gente que só se sente feliz com a infelicidade de outrem. Tem gente corajosa; Tem gente covarde. Tem gente que nasce pra brilhar; Tem gente que nasce pro ostracismo. Tem gente que é assediada; Tem gente que assedia. Enfim, tem todo tipo de gente. Todos, brancos, negros, pardos, vermelhos, amarelos, roxos, todos, estão em todos os cantos.Iguais em questão de deveres e direitos. Todos devem se impor, como seres humanos que são, caso sejam desrespeitados em seu direito sagrado de existir; de ir e vir. Portas não devem ser fechadas, oportunidades não devem ser exclusivas e excludentes. Portanto, meu raciocínio segue a máxima de que "todos são iguais perante a lei". A criação de uma data específica para comemorar o "Dia da Consciência Negra" e por causa disso, decretar feriado, aos meus olhos fere o suposto princípio de igualdade. Ao contrário, instiga o preconceito e convida a um caminho deficiente e perigoso, muito longe de ser corrigido, se levado adiante. 

Além disso, outras questões que atentam para esta data são bastante confusas. Por exemplo: o funcionalismo público não entra em campo, mas o comércio sim. As pessoas não saem para comprar, pois não querem se arriscar a dar com a cara na porta, o que é bem possível. Fica aquela coisa meio do caminho, meia-boca, mais ou menos. Ou é feriado, ou não é.  Tem que haver uma decisão nesse sentido, caso contrário, as pessoas, especialmente os comerciantes, serão prejudicados. Onde todos saem perdendo, a guerra não é boa. Se o município decreta feriado, o mais sensato seria o comércio seguir a regra, já que abrir as portas e ficar às moscas sai ainda mais caro. Entretanto, acho que o sensato mesmo, é que as comemorações continuem a existir, mas sem a obrigatoriedade de parar o país ou a cidade para buscar algo que já é de direito do ser humano: respeito!

Não quero aqui desmerecer a luta de ninguém, porém, tenho ressalvas à ideia de que "o feriado é mais uma conquista". Na prática, o que se conquista com isso? Muda, de fato, alguma coisa? Consciência é algo que se vive diária e continuamente. Não adianta escolher uma data, se não se muda a postura  para enfrentar os percalços. Colocar-se em posição de inferioridade ou superioridade é danoso. 

Aí me perguntam, "então você não tem nenhum preconceito?". Respondo: "Tenho sim. Não os que muita gente tem, como preconceito de cor, raça, sexo, classe social. Outras situações, pela  minha ótica. Se pode ser chamada de preconceito? Não sei. Talvez!"

sábado, 2 de agosto de 2014

CONFISSÕES nada ADOLESCENTES-9- Sobre a Presidente....

CONFISSÕES nada ADOLESCENTES- 9

Peça licença ao entrar. Agradeça, ao sair.

Por Márcia Vieira Yellow



RESPEITO. Mais do que palavra, é atitude. Uma coisa que você dá e recebe. Não é via de mão única, como pressupõem alguns. No dicionário, uma das definições para o termo é: “sentimento que leva alguém a tratar outra pessoa com grande atenção, consideração...”

DESACATO e DESCORTESIA são antônimos da palavra respeito. Pede-se licença ao entrar na casa das pessoas. Agradece-se à quem nos recebe e bem recebe. Mas na chegada da dona presidente à Montes Claros, faltou respeito e sobrou descortesia. Não sei se havia um organizador, porque todas as informações eram desencontradas. O vôo estava marcado para chegar às 15h, depois às 16h e assim por diante. O ex-presidente, infinitamente mais cortês que a atual, deve ter ensinado muitas coisas a então aprendiz, mas até hoje, meados de 2014, não conseguiu transferir à agora candidata à reeleição, um ínfimo terço do seu humor e simpatia.

Ele desembarcou  por volta das 15h30. Carros foram buscá-lo na pista. Não houve contato com os gatos pingados que lá estavam. Saiu sorrateiro, sabe Deus pra onde. Bem, não é mesmo da minha conta. Teria tirado uma foto, unicamente porque o acho simpático. Nesta altura do campeonato, fosse candidato não teria mais o meu voto, mas eu faria esforço por uma foto.

Quanto a ela, apesar de ser a autoridade maior do país, não vale o esforço, não vale o sacrifício de jornalistas que  arrastam carrinhos e sobem em cima correndo risco de se acidentarem, na busca do melhor ângulo. Vale tudo por uma boa foto? Sim, desde que o personagem ou paisagem o valha. No caso em questão, nem uma coisa nem outra. A paisagem não é bela, nem bela é a atitude de quem a enverga.

Há muito dona Presidente é conhecida pela grosseria e mau humor. Sempre ríspida com a imprensa. Talvez, no exercício do cargo, imagine que o mundo tem obrigação de servi-la. Ou que a notícia seja mais importante para quem noticia do que para ela. O entendimento está equivocado. O real é o inverso. Memorize: "respeito é via de mão...DUPLA!". Seria de bom tom que alguém a alertasse para os arranhões e antipatias que vem despertando com uma blindagem desnecessária, já que nem manifestantes se deram ao trabalho de recebê-la no aeroporto.  Uns poucos estavam ali de passagem, indo ou vindo, e sequer sabiam da presença desta autoridade na cidade.

O fato é Dona Presidente, que sua imagem está em jogo. Neste caso, mais do que imagem. O seu projeto de reeleição anda descendo a ladeira. Uma das causas quem sabe, pode ser essa estranha mania de achar que é tão importante quanto a rainha da Inglaterra ou a duquesa de Cambridge. Aliás, se aceita sugestão (penso que não), mire-se no exemplo da Middleton. exemplar figura pública, que vem mudando conceitos e imprimindo personalidade a antes desgastada realeza.

Dona Presidente, com quem aliás pude estar bem de perto em outra ocasião, é ríspida mesmo. Experimentei da sua grosseria há alguns anos, quando ela entrou na nossa casa Montes Claros sem pedir licença e sem agradecer a estada, ao final. Eu não a mandei para lugares onde muitos são enviados, porque tenho noção de boas maneiras.  Junte-se a isso um membro da comitiva ter se posicionado na frente dos fotógrafos no Café Galo, dando pulos e levantando os braços para atrapalhar os registros. Não deixou saudades. Naquele momento decidi-me por um candidato pouco conhecido, sem chances de chegar à presidência, mas entre as opções, era o que tinha alguns bons projetos no currículo público. Constatei que aquela candidata à minha frente não tinha predicados para mudar um país. Nem mesmo arrastada pelo esfuziante Luís Inácio.













Pois bem, de lá para cá, a Dona Presidente não mudou e não fez mudar de atitude os seus decepcionantes subordinados. Quer sair bonitinha na foto? Ofereça-nos o seu melhor ângulo, ou algum ângulo, ainda que não seja o melhor. Não vale descer do possante avião da República Federativa do Brasil (Pode isso? Fazer campanha em avião oficial? Se pode, não pega bem. E a senhora que ousa falar de aeroportos trancados, saiba que a sua atitude é correspondente ao que tanto critica.) pelo lado contrário, deixando todos os cinegrafistas/ fotógrafos/ repórteres que compareceram ao aeroporto - pelo simples fato de que a senhora é a dirigente deste nosso grande país - de câmeras vazias, pés cansados e almas indignadas.

Não dê as costas ao entrar numa casa. Na nossa casa. Peça licença. Saúde os anfitriões. Um aceno, mesmo que de longe teria sido um gesto simpático e uma maneira educada de adentrar à casa dos outros. A senhora nunca consegue ser simpática? Tente. Os corações mais duros já sucumbiram ao menos uma vez na vida. Agradeça aos que te recebem, mesmo quando não há quorum. Os poucos que ali estiveram, ou estavam à serviço ou foram lá para vê-la, para ouvir uma palavra, para saciar a curiosidade. Talvez até para decidir se a senhora Dona Presidente, deve continuar onde está.  Acho que não deve não. É a minha opinião. Perdão se não gosta das minhas opiniões, mas constitucionalmente, sou e me sinto livre para emiti-las. Sou tão sincera quanto a senhora, porém, devo dizer, com os bons modos mais apurados. Uso as palavras “licença” e “obrigada” sem moderação. E adoro ouvi-las.  Ali eu vi muitos que são "sangue do seu sangue" (vermelho, e não azul como pensas) proferindo palavras chulas ao citá-la. Fiquei condoída pela senhora, juro! Mesmo sabendo que não merece minha solidariedade. 

E no aeroporto a imprensa ficou a ver navios, ou melhor, aviões. Oficiais e atravessados na pista de modo a dificultar a visão da sua ilustre presença. A senhora tem o dom de nos fazer amar os seus opositores. É mestra nisso! Partiu para a sua reunião com prefeitos e aliados dentro de um daqueles diversos carros pretos de vidros escuros, deixando cada um dos repórteres sem vontade nenhuma de (per) segui-la. Os que fizeram, o fizeram por obrigação, sem dúvida. Antipática ao chegar e acessível dentro do seu ninho, soube depois. De que adianta? O desafio é ser humana onde não tem certeza reinar. É encarar o público onde há uma incógnita. Circular entre os seus é fácil. Eles obedecem de olhos fechados. Não questionam. Apenas aceitam. Tente fazer o contrário. Convencer a quem não está convencido.


De todo modo, fica dado o recado aos que chegam à nossa casa. Tratamos tão bem a todos vocês, do baixo ao alto escalão, que  a recíproca deve ser verdadeira. Não tentem obstruir os nossos caminhos. Sejam facilitadores do nosso trabalho e nos reservem um lugar no mínimo, digno. Vocês querem ver divulgadas as suas ações e nós queremos fazer o nosso trabalho. Vale também para os profissionais que assessoram os visitantes. Lembrem-se sempre que vocês estão na nossa casa e não o contrário. O trabalho de vocês é tão importante quanto o nosso. Cada um tem um foco, um alvo, uma tarefa. Não pense que por estar aqui acompanhando uma autoridade tem reservado um lugar de honra. O lugar de honra é da autoridade e nós, operários da informação, daqui, de Brasília, de Belo Horizonte ou da Cochinchina, estamos todos no mesmo barco, no mesmo patamar. Situação ou oposição, no trabalho somos parceiros, não adversários. Sou ótima em parcerias e igualmente ótima em embates. Não receio falar, não receio calar. Basta que me deem motivos para uma ou outra coisa.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

CONFISSÕES nada ADOLESCENTES - VII

CONFISSÕES nada ADOLESCENTES -VII

PRA NÃO dizer que NÃO FALEI da COPA....


Por Márcia Vieira Yellow

Ela, a copa, começou. Que dia vai terminar, não sei. Não sou essa coisa dura nem radical de "não torcer para o Brasil", mas também não posso ser considerada uma entusiasta do evento. Eu não queria que fosse aqui, desde quando o Brasil foi sorteado. Fiquei triste naquele exato momento, pois imaginei um monte de coisas mais necessárias e imediatas do que a preocupação em maquiar o país para receber "os visitantes". Eu não queria, mas já que eles estão aqui, sejam bem-vindos e sejamos lutadores. Vamos tentar vencer. 

De qualquer maneira, bem ou mal recebidos, alguns são mal-educados mesmo, entram na casa dos outros e saem falando mal. E se tem uma coisa pra mim tão triste quanto ver alguém atirar um papel ao chão, ao invés de guardar na bolsa pra quando encontrar uma lixeira, é ver uma pessoa entrar na casa da outra e depois falar mal. É a regra número um na minha opinião:  "nunca fale mal de alguém que lhe abriu as portas". Por isso, quase não vou à casa de ninguém. Não porque deseje falar mal, mas só vou à casas onde me sinto muito à vontade. Eu gosto de analisar pessoas e ter minhas próprias definições sobre cada uma delas. Me sinto mais livre para escolher onde realmente frequentar e respeito como santuário todas as casas que frequento.

E no primeiro jogo da copa fiz questão de aceitar um delicado convite para estar na residência de um casal que eu adoro: Cida e Said Schiller Campos, que sempre me ofertam muito carinho e gentileza. Era aniversário da Cida, que vestiu-se de amarelo e dominou o ambiente com sua alegria.  Ali escolhi o meu ídolo da copa: Marcelo, o primeiro a fazer gol. Contra sim, mas e daí? Como disse minha sobrinha: "foi cortesia da casa".


Achei lindo o Marcelo abrir o placar com esta cortesia. Ele apenas seguiu o espírito de um Brasil que torce contra o próprio país. Por isso, não merece ser hostilizado.
No momento da "cortesia" eu ocupava uma mesa com pessoas que eu adoro e com quem cheguei à festa: Martinha Malveira, Gisele Andrade e sua filha Duda, que ao olhar pra mim disparou: "ela está chorando!" . Sim, eu estava chorando, Duda. Os olhos marejados pelo Marcelo. Tudo que queria naquele momento era colocá-lo no colo, depois de passar um pente e amarrar aquela cabeleira desordenada. Meu Deus, nunca torci tanto, como naquele instante. Torci para o Brasil fazer gols e não perder, porque pensava na tragédia que seria para o Marcelo. Como o Brasil iria massacrá-lo por algo que qualquer um poderia fazer, especialmente sob pressão. Pressão de todos os lados, de todas as pessoas. De uma torcida que torce, de uma torcida que não torce, da equipe, dos dirigentes e do povo que nunca assiste futebol, mas não deixa passar uma oportunidade de dar pitaco, especialmente se for para criticar negativamente. Como se fosse fácil estar ali, sob os olhos atentos do mundo! Nunca é fácil estar no centro de algum lugar/situação, ser notado, observado, julgado, percebido. Muitos dizem: "se fosse eu faria assim ou assado". Não fariam não. É simples tomar decisões quando não se está no lugar do outro.  

Quando as câmeras mostraram o jogador ele estava com carinha de assustado. Fiquei preocupada em como a equipe o trataria no vestiário, se ele iria  voltar no 2° tempo, etc. Num certo momento, quando levou uma cutucada e chorou, pensei: "este choro é pelo gol marcado e estava aí, reprimido". Ainda bem, o Brasil ganhou, o que tirou o Marcelo do olho do furacão, mas ainda assim não fez cessar as piadinhas da internet. 

Então ele é o meu ídolo da copa. Aquele a quem vou amar até o final. Com ou sem o cabelo (de preferência sem). Por esse momento triste e que será inesquecível pra todos nós, mas especialmente pra ele, que vai levar pela sua vida o fardo de ter feito o primeiro gol contra na copa do mundo. Adoro histórias tristes. Meus ídolos eram todos tristes: Van Gogh, Beethoven, Oscar Wilde, Raul Seixas, etc.  

Mudando de foco, mas ainda sobre futebol, quero fazer uma crítica à Record. Negativa sim senhor. Porém, justa. Recentemente elegeram o jogador mais bonito do mundial. Agora, elegeram o mais feio. Deselegante isso! Mais ainda porque não vi nenhum jogador brasileiro. O Neymar nem compôs a lista. Tinha jogadores de diversos times, e nenhum deles com menos desventura física do que o ídolo brasileiro. Bem pessoal, ele foi maravilhoso e salvou o Brasil, é queridinho e tal, mas convenhamos, beleza física ele não tem, nem dentro nem fora dos padrões. Só porque é ídolo não pode entrar na lista? Que atitude desairosa com os estrangeiros!  O jogador que levou o título de mais feio, escolhido pelo Amaral, nem é tão feio assim. O Amaral até emendou: "se eu estivesse jogando, seria eu". Sim, o Amaral também entra na categoria "nem dentro e nem fora dos padrões", mas o Neymar não precisa fazer esforço pra participar desta disputa. Foi injusto não colocá-lo e cruel não incluir brasileiros. Revejam o jogo contra a Croácia e olhem bem aquele momento em que ele aparece olhando rapidinho para um lado e para o outro. Parece um daqueles miquinhos do Parque Municipal. E aquele olhar só fica bem nos miquinhos. 

Nada me faria beijar o Neymar. Nem por vingancinha, se eu fosse inimiga número um da "Magazine" (coisas da Gisele e da Martinha). E eu não gasto beijo por vingancinha ou outra razão tola. Só por vontade mesmo de beijar. Se não existissem tantos homens e apenas o Neymar...eu passaria o resto da vida sem beijar!!! 

E vocês acham que vou falar de copa sem falar de moda? Hum,Hum! Tenho minhas reservas com a Cláudia Leite. Canta música ruim (típica da Bahia, onde poucos se salvam), é totalmente "reformada" por meio de cirurgias plásticas, é cafona, não é nem um pouco simpática, mas.... Mas acontece que entre mortos e feridos, desta vez ela se salvou, se comparada à J. Lo, sua companheira de palco. O figurino e o calçado eram de mau gosto, mas ao menos ela teve a sensatez de cobrir uma das partes, enquanto a J.Lo foi como sempre, ela mesma. Descobriu tudo de uma vez e conseguiu colocar todos os equívocos numa única peça de roupa (isso nos faz lembrar alguém, né? Com a diferença que a J. Lo tem um corpo de proporções maiores, mas bem feito). 

Tudo  à sua hora, não? Preservadas as liberdades individuais ( e isso é necessário, pois a maneira de vestir é a tradução do comportamento), fica uma dica que não tem erro, caso queiram aproveitar: não se vai à igreja de biquini e nem à praia de burca. E se você gosta de muiiiita coisa, ou seja, de excessos, que tal tentar usar uma coisa de cada vez (mesmo que nada se salve)? Não precisa juntar tudo no mesmo look. É preciso ser mais do que corajoso pra sair por aí vestido/ornado de patati ou patatá, caso você não seja um deles(as).

É só opinião. Cada um que faça o que bem quer....E arque com as consequências!




terça-feira, 10 de junho de 2014

CONFISSÕES nada ADOLESCENTES-VI- Eu VOU com NOÉ...e VOCÊ?!

CONFISSÕES nada ADOLESCENTES - VI

Eu VOU com NOÉ....e você?...

Por Márcia Vieira Yellow


Definitivamente não pertenço a este mundo...Ou este mundo não me pertence mais!!! Importante “bater em retirada” na hora certa. De minha parte, estou pronta! Aguardo o sinal pra ir, sem remorsos, sem culpas, sem achar que devo ou que alguém me deve.

Vocês ainda tem algo a fazer por aqui? Eu não! Já cumpri a minha função, já fiz a minha parte, e vou sim, direto pro céu. Nem vou passar pelo umbral, porque o combustível não permite fazer escalas...E não vou antecipar nada (porque neste caso teria que passar pelo umbral e fazer estágio), apenas declaro  que “estou pronta” pra ir a hora que Noé quiser dar a arrancada. E eu vou de arca mesmo. Dispenso floreios e tecnologias que dilapidam o humano. Não me venham oferecer outro meio de transporte de última geração, mesmo que eu tenha convicção de que esta geração é  realmente a última, porque se não for, coitados os que ainda virão!!! Lamento por eles e não quero estar aqui pra assistir.

Ora, gente, que mundinho mais doido é este aqui? Assaltos sincronizados e bem planejados, com o plano tático  bem detalhado na internet (imagino que seja instrução para o caso de algum desmiolado querer fazer igual e não saber); loucos invadindo igrejas e apedrejando imagens (de vez em quando eu fico de mal com uns santinhos aí, mas nem por isso jogo pedra); presidentes de instituições antes respeitadas financiando invasões e barulhos, manipulando pessoas e mentindo descaradamente sob olhos/bocas/ouvidos inertes de uma população;  comandantes de órgãos fiscalizadores  recebendo e embolsando dinheiro que não lhes pertence ao mesmo tempo que arrotam moralidade diante de toda uma cidade e entram em guerra pra não perder o suposto poder; capitães de “sem-qualquer-coisa” que nunca bateram um prego, reivindicando benefícios que antes só se conseguia por meio de trabalho e o pior, sendo recebidos como “autoridade” pela mídia desnorteada que faz qualquer coisa por uns pontinhos a mais.

As situações são inúmeras. Prefiro parar por aqui, porque de novo eu digo: o combustível não é suficiente pra fazer escala no umbral. Eu não vou pra lá!!! Se ficar aqui, corro sério risco de cair em tentação, achar que  é normal e resvalar para a “loucura dominante”, porque vejamos, não sou santa. Querem ver? 

Se já quis matar alguém um dia? Sim, especialmente se estiver naqueles dias. E não foi uma pessoa só  não.  Mas Deus me deu cérebro, então optaria  por uma tortura, que é muito mais interessante. Exemplo: tem três pessoas que eu amarraria juntas e colocaria em praça pública para apreciação do povo. Ora, pois se eles adoram espetáculo, eu proporcionaria um espetáculo jamais visto. Um outro eu colocaria numa cadeira de espaldar reto, ao centro de um auditório enorme, de preferência recém construído (ele adoraria também, pois aguarda ansioso o auditório planejado e projeto alterado segundo as suas convicções), mas com acesso restrito à imprensa. Só a “marrom” poderia entrar e ficar perto dos bonequinhos de luxo, sem voz, sem palavra, sem compromisso e sem responsabilidade. Depois de, ao longe (lembrem-se, se é marrom, fica perto, se não, tem que ficar distante), ouvir as  mentiras, eu o faria recolher e engolir cada uma delas,  sem água, sem cafezinho e sob aplausos da platéia. Isto é, se o regimento permitir manifestação. Ah, mas quem liga pra regimento, não é? Isso não se usa mais. Sim e não é a mesma coisa agora.

Bem, essa narrativa aí atrás está no plano imaginário por enquanto. O que quero dizer é que não é necessário executar certas vontades, já que as pessoas cavam a própria sepultura e depois entram nela sem precisar fazer esforço, pois tem milhas acumuladas ao longo da existência. Exterminando o mal e fazendo tal bem à humanidade, eu sei que seria perdoada, mas pra que? Estes quatro elementos irão para o umbral de qualquer maneira. Ao menos eles sabem que são do mal. Tem consciência de que são nocivos à sociedade.

E a você que está aí sem saber pra onde ir, só tenho uma coisa a dizer: decida-se! Seja do bem ou do mal, mas não fique no meio do caminho, porque no meio, o capitão do umbral não vai querer abduzir você e muito menos Deus, o capitão do céu. Ambos sabem comandar, e não lidam com bonequinhos, lidam com seres humanos cerebrados. Noé, representante de Deus, mandou avisar que não vai demorar e quando aqui chegar, vai perguntar: “quem são estas pessoas? Elas irão conosco?“. Eu, a  número um da fila (também tenho milhas acumuladas), candidamente responderei: “este é do bem, este é do mal e este mais ou menos”. Os do bem irão com ele, os do mal, para o umbral e os mais ou menos  ficarão aqui esperando a próxima arca ou o metrô de SP, porque conhecendo o coração de Noé, sei que ele vai querer gente decidida por perto.


Juro que estou ansiosa, abrindo a janela para ver se a arca já aponta no horizonte. Ninguém me disse, mas sei que o mundo de lá é diferente. Tem flores amarelas de montão, muitos girassóis, muitas pérolas, roupas limpas de bom caimento e corte, café sem açúcar e pessoas doces, hierarquias, pais conscientes, filhos respeitosos, livros de sobra, música boa, telas bem pintadas, filmes bons. 

Lá, não se joga lixo nas ruas, não se imputa ao outro a responsabilidade que é de cada um. Lá, pra se obter alguma coisa, o único meio é o trabalho. Não há trocas, escambos. Lá, as pessoas são iguais e tratadas da mesma maneira, mas mantém as suas particularidades e são respeitadas nas suas escolhas de preferir este ou aquele ambiente sem serem invadidas por espíritos não afins.

Lá, as pessoas  escolhem andar com aquelas que acrescentam, que acreditam ter afinidade e não descartam o dom de existir incitando injustiças.  Lá não se pode contar mentiras, porque o mentiroso automaticamente perde espaço, credibilidade e tem que ficar na “cadeirinha do pensamento” até descobrir o que fez de errado. E quando descobre, ele mesmo escolhe ser punido, pra não ficar em dívida  e nem ser obrigado a voltar em outra encarnação. Ninguém quer voltar, porque lá, tem mais um monte de coisa bacana pra desfrutar: lealdade, respeito, consideração, trabalho, lazer, colaboração, limites, educação, solidariedade, generosidade, atitude, gentileza, gratidão, sinceridade, etc. 

Lá, ninguém joga carro em porta pra arrombar loja, ninguém invade a casa do outro derrubando portas e janelas, ninguém joga pedra nas imagens. Todo mundo dá o que tem e recebe o que merece. E todos vivem sabendo que também ali estão “de passagem”.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

CONFISSÕES nada ADOLESCENTES- V

CONFISSÕES NADA ADOLESCENTES – V

A QUEDA!!!

Por Márcia Vieira Yellow


Caiu? Levante-se! É a regra, em qualquer situação. Quedas tem aos montes, reais ou fictícias. Como lidar com elas? Depende de cada um.  E eu caí. Não vou dizer que me espatifei, porque não é verdade. Foi uma queda suave, sem arranhões, sem dor e pasmem, sem constrangimento. Nossa, isso está ficando perigoso. Nem uma queda é capaz de me deixar constrangida!!!

Foi no salão de eventos do clube da Sociedade Rural. Ao me dirigir ao toilette, no meio do caminho não tinha uma pedra, tinha três degraus. E antes que os alcançasse, um chão escorregadio (o que será que eles passaram naquele chão?) me alcançou. Escorreguei, caí, mas meu vestido não me deixou na mão. Ficou comportadinho. Como disse Marly logo depois: “eu vi você dar uma voadora, mas foi com tanta classe que seu vestido ficou no lugar!”

Ao lado havia uma moça bem educada, que estava trabalhando no evento, com seu terninho preto. Ela me deu a mão, eu me levantei, olhei se não havia machucado e segui ao toilette. Na volta, como sou cabreira, pedi que ela me estendesse a mão novamente para não correr o risco de ir ao chão no mesmo local.  Uma vez, tudo bem. Mas cair duas vezes pela mesma coisa é burrice. E eu não tenho paciência para repetir burrices.

Pena não estar com a câmera na hora. Será que eu teria feito um selfie? Hummm..acho que não . Gostava de selfie quando a palavra não existia, quando fazíamos a própria foto por uma questão de praticidade e independência,  sem “pegar mal”. Hoje, como se sabe, o selfie virou uma coisa triste (tenho certeza que veio a mente de vocês exemplos próximos),  salvo raras exceções.  Recentemente Marcelo Lafetá, o cinegrafista, fez um selfie com a minha câmera que ficou bem legal. Estávamos uma turma em cidade vizinha e registramos o momento, sem poses caricatas, sem maquiagens e figurinos de circo, muito natural e sem exageros. Assim  é bom!

Já na noite da queda, seria melhor que o registro fosse feito pelo Dione ou pela Sil Mameluque, amigos e fotógrafos componentes de uma mesma mesa/turma durante o evento.  Tenho certeza que fariam uma foto incrível.

Ao voltar para o salão tomei o cuidado de avisar às mulheres sobre o chão escorregadio, afinal, uma queda por noite está de bom tamanho. E eu fui a sorteada, né Deus??!!! Um dia a gente tem que ganhar no jogo também. Ficar sempre com “azar no jogo e sorte no amor” é cansativo. Mas mesmo  no dia que ganhei no jogo, não dispensei a sorte no amor, não.  Ué, se Deus quis me premiar nas duas coisas é porque achou merecido. Eu é que não vou reclamar!!!!!

E aí dei uma circulada pelo salão, fiz alguns registros, recebi solidariedade e risos.  Encontrei Rafa Soares, um querido que há muito não via, o seu pai Nenzinho e o tio Romeu.  Bem que o Rafa poderia estar ao lado quando caí. A mocinha foi super gentil, mas  ele é um gentleman, que teria me levantado com toda pompa, sem dúvida. Encontrei a Clarice Neves, que disse: “ eu vi, mas não quis ir até lá pra não chamar atenção e na hora estava cumprimentando pessoas”(como é atenciosa essa Clarice, né gente?!).  O mais engraçado é que alguns falam com todo jeitinho, achando que você vai ficar sem graça. Tratei logo de avisar que não fiquei sem graça, que acho muito comum cair e que poderia acontecer a qualquer um. Aliás, em queda sou especialista. Já cai naqueles três degraus do Automóvel Clube (sempre três degraus. Acho que vou jogar no bicho!) e um belo dia depois de um almoço no AC, desci a rampinha e fui tropeçando, parecendo que procurava alguma coisa no chão.  Será que meu pé é pequeno para o meu tamanho? 

Tenho um amigo, o Duda, que sempre caminha olhando pra baixo. Um dia perguntei qual a razão daquilo e ele me respondeu: “é porque meu pé é pequeno para o meu tamanho, por isso eu tenho que olhar, senão caio”. Tem sentido. Vai ver o meu pé é assim.  Só não sei ao certo, porque ultimamente não tenho número específico. Tenho três sapatos do mesmo:  o primeiro comprei n° 38, depois comprei de uma vez um n° 37 (foi com ele que caí) e outro 39. Todos me calçam bem. Não me perguntem, porque não sei responder sobre esta mutação. Herança das passarelas? Pode ser. Já desfilei com sapatos de n° 36 à 40. Eu juro, com a mesma habilidade! E vou contar uma coisa: desde o meu primeiro desfile, aos 14 anos ( isso  já faz muuuuuito tempo) ,  eu me preparava para uma eventual surpresa. Pensava: se cair, levanto, tiro os sapatos e continuo o desfile. Nunca aconteceu, mas eu teria me saído bem, certamente.  


Pois bem, a queda em questão foi real, mas serve para ilustrar as reações diante de outras quedas: as que não pertencem ao mundo físico. Não vejo diferença entre uma e outra coisa. Claro que tudo que mexe com a alma  nos deixa mais sensíveis, às vezes frágeis, desconfiados. Mas tal qual as quedas do corpo, as da alma podem ser tratadas com destreza e naturalidade. Cair pode não ser uma escolha, contudo, ficar no chão ou levantar-se, é! E não há queda que deixe no chão, quem está acostumado a viver de pé! Questão de perspectiva.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

CONFISSÕES nada ADOLESCENTES - III
 
Por Márcia Vieira Yellow


 
O  que um homem pode fazer, que eu, mulher, não? Trocar gás e consertar chuveiro! Apenas isso, que eu saiba. As duas únicas coisas que eu atribuo a “serviço de homem”. Século XXI, depois de uma Mary Wollstonecraft, escritora inglesa do séc. XVIII, crítica das chamadas convenções femininas (recusou até onde pode o casamento por achar que a façanha era pura e simplesmente a submissão da mulher), e de uma Simone de Beauvoir que manteve com  Jean Paul Sartre a mais linda e livre relação amorosa de que se tem notícia, ambos mantendo suas liberdades individuais (e aqui entendam como quiser esse “manter as liberdades individuais”), me deparo com a segregação em um ambiente de arte.
 
Não há nenhuma placa dizendo “somente mulheres”, “indicado para mulheres”, ou coisa parecida. Há sim, atendentes de ambos os sexos, simpáticos, educados, risonhos, abrindo as portas, indicando caminhos  e.... É no “e “ que mora o perigo. E dizendo educadamente que existe um outro prédio aberto à visitação, onde poderíamos, eu e quem me acompanhava,  apreciar  as “profissões femininas”.
 
“Ham?! Isso mesmo? Profissões femininas?”, retruco.  “Sim, profissões mais voltadas às mulheres”, responde o gentil funcionário do Museu de Artes e Ofícios em Belo Horizonte.  Foi a minha primeira incursão pelo local. Desta vez, venci o bloqueio da ausência de tempo e  avanço de horário, pra visitar o espaço que sempre admirava de longe, mas nunca  encontrava tempo para adentrar. Inaugurado em 2006, a partir da iniciativa do Instituto Cultural Flávio Gutierrez e doação de acervo por Ângela Gutierrez, o museu está localizado na Praça da Estação, em prédios tombados da Estação Ferroviária Central e abriga o universo do trabalhador desde a era pré-industrial.
 
As profissões/ofícios são retratadas com muita sensibilidade e sim, há mulheres, neste primeiro espaço, mas quase sempre  em  posição inferior. Como  amparo do homem,  sem assumir a dianteira, a posição de comando. Aquela velha história de “por trás de um grande homem sempre existe uma grande mulher”, que as próprias mulheres se orgulham de apregoar. Nada contra bastidores. Sou fã da energia criativa dos bastidores, de quem faz, constrói e fica ali na coxia, discretamente, abrindo a cortina para o outro brilhar. Daí vem a minha crítica feroz  em cima daqueles que ao acabar o filme, apagam a tela e não deixam o espectador ver os créditos de quem brilhantemente  trabalhou para aquele resultado.
 
Mas isso nada tem a ver com “ofício masculino ou feminino”. Tem a ver com talento, disposição, dom, capacidade, que nascem com o ser humano ou são desenvolvidos ao longo da existência, seja homem ou mulher.
 
E não se deve culpar aos homens pela sua incisiva mania de querer definir o que a mulher pode ou não fazer. Eu mesma uma defensora da igualdade e da justiça,  sou capaz de me surpreender com pensamentos preconceituosos como: “se é feio um homem bêbado, imagina uma mulher”, ou “acho feio o ato de fumar, mas numa mulher é bem pior!”. Na verdade, o que aos meus olhos não é bem visto, não depende de gênero pra o ser. Cabe a mim policiar este tipo de atitude pra não achar que “é mais feio porque é mulher”.
Ou seja, se existem culpados para esta permanente segregação, podemos dizer que mais as mulheres foram e ainda são, responsáveis por alimentá-la.
 
Achei engraçada a ocorrência no museu, ou BO, como diria Joyce e Adão. Não deixa de ser trágica, se se imaginar que ainda hoje, o cotidiano sugere uma mulher frágil, comprometida com tarefas femininas, não obstante o exercício dos ofícios masculinos fora do lar. A distribuição igualitária de deveres e ousadias, independe de sexo.
 
Fiquei imaginando o que seriam as tais profissões femininas. E vejam só: “Ofício da conservação e transformação dos alimentos” está lá, no universo feminino. E não deixa de ser uma definição linda e poética para um ofício que conhecemos tão bem: cozinhar!
 
Isso um homem sabe fazer melhor do que eu: cozinhar. Ah, e também trocar gás e consertar chuveiro! De resto, não me sinto inapta a transitar no universo masculino. E usufruo  sem o menor constrangimento dos mesmos direitos que alguns supõem ser prerrogativa masculina. Posso não mudar o mundo, não chegar a Beauvoir ou Wollstonecraft, mas sou responsável por imprimir à pequena parcela de mundo que me cerca, aquilo que acredito: “não faça ao outro aquilo que não gostaria fizessem à você”, “respeito é via de mão dupla”,  e “liberdade, igualdade, fraternidade”, que embora lema da bandeira francesa, cabe sempre em qualquer lugar!


quinta-feira, 15 de maio de 2014

CONFISSÕES nada ADOLESCENTES - 1

CONFISSÕES nada ADOLESCENTES  -1

Por Márcia Vieira  Yellow                                                                                

Se chegou até aqui pensando em ler algo picante, desista da leitura. Coisas "intimamentepicantes" não se publicam. Se chegou até aqui pensando em ler alguma coisa peculiar de “amor”, desista também, ainda dá tempo. Por aqui não verá coisas do tipo. Coisas do amor são ditas apenas ao amor. Se você é ele, já sabe o que precisa saber e o que não precisa também. Se não é ele, nada que se refira ao assunto pode ser da sua conta!!! Contente-se com o que digo/escrevo. Já é muito, para pessoas discretas.

Ah, me esqueci. Isso  quase ninguém mais sabe o que é, não? De fato, o mundo trocou de moeda, de rumo, de assunto, de gosto e até de desgosto! Canalizou-se e banalizou-se! Tudo para o mesmo ponto, tudo ao mesmo lugar comum. É a era do mau gosto, dos excessos, da deturpação, da corrupção das palavras. Exemplo?  Só algumas, pra começo de conversa: fashion, glamour e até a antes restrita “bacana”, que era tão bacana!!! Hoje, acredite, se for comprar alguma coisa e alguém disser que é “fashion”, desista da compra. É um bom conselho. De graça! (já sei: você está pensando que não existe nada de graça no mundo, né?! Existe sim. Lembre-se: “fora da caridade não há salvação!”). E "glamour", que nasceu na Escócia, foi difundida (palavra e atitude) pelo cinema americano e literalmente era pra corresponder à requinte, ganhou nova roupagem , cuja representação exata e mais conhecida da distorção a qual foi submetida, é a do personagem  de “Zorra Total” , que usa o bordão “tô pagaando!!!” Já bacana, que era “interessante, legal, etc”, ficou assim, usual, banal, destituída de sentido.

Alusões ao mundo da moda apenas como exemplo, porque ela, a moda, é só um reflexo do seu tempo. Retrata comportamentos e como tudo o mais, está carregada, promíscua, misturada, sem identidade ou com uma identidade altamente comprometida com a vulgaridade, no seu sentido mais exato. Porque elegância é o antônimo de vulgaridade. Não andam juntas, não sobrevivem no mesmo espaço. União impossível.

Estupefata e chocada já não são sensações/expressões cotidianas, visto que o cotidiano tem surpresas  a oferecer. Quando se imagina ter visto de tudo, ainda há algo para se ver. E aí, o choque, a estupefação, não se encaixam. Seria necessário algo maior para descrição precisa da barbárie visual, emocional, comportamental.

“Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Bons tempos aqueles, quando corriqueiramente fazia uso da expressão. Bons tempos aqueles, quando o excesso era apenas de idéias, quando idéias recebiam acento (gráfico) e assento (repouso) nas mentes emotivas, criativas, de bom gosto (porque embora gosto seja particular, o bom é bom em qualquer pairagem e o mau é visível e risível, aqui ou no Nepal, independentemente de culturas). Pessoas se encharcavam de emoção, espontaneidade, naturalidade, todas afins e de mãos dadas com o respeito. Digo agora,  sem receio de equívocos, que a expressão inicial do parágrafo, deve ser substituída por “uma coisa leva à outra coisa”. A somatória dos excessos desagua no que está aí: tudo é permitido, tudo é possível, tudo é descartável. Espalhafato e frivolidade vendidas como plausíveis, necessárias, e pasmem: originais!

Bem, e esta é uma outra palavra que foi desvirtuada, mas o álibi é que tanto pode significar “distinto”, quanto “bizarro”, e as duas, como se sabe, tem aplicações diferenciadas, praticamente contrárias. Ao que tudo indica, o excesso não atingiu o seu ápice. Ainda teremos surpresas, desagradáveis, diga-se de passagem. “Nada é tão ruim que não possa piorar!”

Arrisco dizer que ousadia é andar na contramão. E aí, tiro o chapéu pra um “amigo-inimigo-amigo-inimigo-amigo”, que lucidamente prega:”quando todo mundo caminhar numa direção, faça o contrário”. Este é o meu lema, não para inverter a máxima “pra que complicar se posso descomplicar?”. É porque “apreciar o simples que de tudo emana” é saúde mental, é conforto emocional.

E merece um beijo quem não se curva às imposições, modismos e temporariedades. Outro beijo, para quando/quem as regras são unicamente as do coração, traçadas ao largo do apocalipse, sãs e salvas do alvoroço. “E que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca, porque metade de mim é o que grito e a outra metade, silêncio!”